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Após colapso nos EUA, Credit Suisse leva crise financeira à Europa

Após colapso financeiro nos EUA, o banco suíço passa por problemas
16 de março de 2023 em Internacional
Foto: Getty Images

O mercado financeiro vive semanas complexas em diversas partes do mundo. Após o colapso financeiro nos Estados Unidos, com a falência do Silicon Valley Bank e do Signature Bank, a crise chegou à Europa.

No dia 16 de março, o banco Credit Suisse, da Suíça, viu as ações despencarem cerca de 25% na bolsa de valores, após representantes do Saudi National Bank, da Arábia Saudita, maior acionista da instituição, anunciarem que não aumentariam sua participação no capital da empresa.

O investimento do banco saudita na instituição suíça começou em 2022, com o aporte de 1,5 bilhão de francos suíços (R$ 7,8 bilhões) no CS. Agora, a posição do banco parece ter mudado. “A resposta é absolutamente não, por muitas razões além da razão mais simples, que é regulatória e estatutária”, disse Ammar Al Khudairy, presidente da Saudi National Bank, à Bloomberg TV. Há um limite regulatório do banco da Arábia, que limita a 10% a participação em outro banco.

Esse anúncio foi o suficiente para fazer despencar as ações do banco suíço e seus concorrentes europeus, reforçando o medo de que aconteça uma crise bancária mundial após os últimos episódios norte-americanos.

Mas os problemas do Credit Suisse não são de hoje e, até por isso, a instituição teve uma parcela adquirida pelo Saudi National Bank, em 2022. O banco, segundo especialistas, passa por uma crise de confiança diante do mercado global em virtude do histórico de má governança, com acusações de fraudes, espionagem de executivos e lavagem de dinheiro.

De outubro a dezembro do ano passado, mais de US$ 118 bilhões (R$ 618 bilhões) foram sacados do banco por essa crise de credibilidade. Os resultados divulgados nos últimos balanços de 2021 e 2022 também agravaram os problemas. Além de apresentar “fragilidades materiais”, apontadas pelo próprio banco na divulgação de resultados no dia 14 de março, eles mostram prejuízo. Em 2022, a perda chegou a 7,3 bilhões de francos suíços (R$ 41 bilhões).

Luz no fim do túnel

Em uma tentativa de reforçar o cofre e reconquistar a confiança de investidores, o Credit Suisse pediu um empréstimo ao Banco Central da Suíça no valor de US$ 54 bilhões (R$ 285 bilhões). O BC suíço concordou em conceder, mas ainda não revelou se oferecerá 100% da quantia solicitada.

Esse apoio financeiro animou o mercado. No dia 16 de março, as ações do Credit Suisse fecharam em alta de 19,15%.

Consequências globais

Em 15 de março, dia do anúncio, as bolsas mundiais sofreram queda pelo temor de um colapso financeiro mundial. Nos Estados Unidos, os três principais índices do Wall Street ficaram no vermelho. Já as bolsas de Paris, Milão, Madri e Londres caíram aproximadamente 2%.

No Brasil, o índice Ibovespa, que mede o desempenho das ações da bolsa brasileira, também foi impactado e caiu 1%. Apesar disso, especialistas afirmam que o mercado brasileiro não deve sofrer as consequências do colapso financeiro dos EUA e na Europa. Contudo, além de deixar os investidores e o mercado mais atentos e desconfiados, uma possível recessão nessas regiões poderia afetar as exportações, ou seja, a venda de produtos brasileiros para o mercado internacional.

Fontes: InfoMoney e Valor Investe.

 Menina com celular. Foto criada por diana.grytsku - br.freepik.com

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