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PIB: Brasil cresce 2,3% em 2025, o menor resultado desde a pandemia

Safra agrícola recorde evitou resultado ainda mais fraco. Consumo das famílias teve o pior número desde 2020, e a indústria de transformação entrou em terreno negativo
3 de março de 2026 em Nacional
Foto: Getty Images

Dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 3/3, mostram que o Brasil cresceu 2,3% em 2025. É um resultado positivo, mas menor do que nos anos anteriores. Nos quatro anos depois da pandemia, o crescimento havia sido acima de 3% ao ano.

O setor que evitou um resultado pior foi a agropecuária. A produção no campo cresceu 11,7%, impulsionada por uma safra recorde de grãos no começo do ano. Esse desempenho ajudou bastante a economia: quase um terço de tudo o que o país produziu a mais em 2025 veio da agricultura.

Os juros altos cobraram seu preço para a economia brasileira. Em 2025, a taxa básica de juros do país, a Selic, ficou em 15% ao ano. Isso encarece empréstimos e financiamentos, o que costuma desacelerar a economia.

Com os juros altos, outros setores tiveram crescimento menor. Os serviços, que incluem comércio, transporte e turismo, cresceram 1,8%. A indústria avançou apenas 1,4%.

O impacto no bolso das famílias

Quem mais sentiu os efeitos dos juros altos foram os consumidores. Os gastos das famílias cresceram apenas 1,3% em 2025. No ano anterior, esse aumento havia sido de 5,1%.

Mesmo com emprego e renda ajudando, muitas famílias estavam endividadas e enfrentaram parcelas mais caras. Isso fez com que as pessoas consumissem menos.

Indústria e investimentos

Na indústria, a situação foi desigual. A extração de petróleo e gás cresceu bastante, cerca de 8,6%, ajudando o setor extrativo.

Já as fábricas, que dependem muito de crédito para investir e produzir, tiveram queda de 0,2% no ano. Os investimentos das empresas também cresceram menos: 2,9% em 2025, bem abaixo dos 6,9% registrados em 2024.

O governo manteve seus gastos relativamente estáveis, com aumento de 2,1% no consumo público.

O que esperar de 2026

Para 2026, a expectativa é de crescimento menor. O mercado financeiro prevê alta de 1,82%, enquanto o Ministério da Fazenda estima 2,3%.

A agropecuária provavelmente não repetirá o desempenho excepcional de 2025. Além disso, os juros ainda estão altos. Mesmo que o Banco Central comece a reduzi-los em breve, os efeitos costumam demorar alguns meses para aparecer na economia.

A influência da guerra no Irã

Outro fator que pode afetar a economia é a guerra no Irã. O conflito já fez subir o preço do petróleo no mercado internacional.

Se os preços continuarem altos, os combustíveis podem ficar mais caros no Brasil. Isso tende a aumentar a inflação, porque o transporte e a produção de muitos produtos dependem de combustível.

Com inflação maior, o Banco Central pode demorar mais para reduzir os juros.

Hoje, a previsão é que a taxa Selic termine 2026 em torno de 12% ao ano, ainda considerada elevada.

 Menina com celular. Foto criada por diana.grytsku - br.freepik.com

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