O milagre dos juros compostos

Entenda o que são os juros sobre juros e por que o tempo faz tanta diferença no rendimento do dinheiro
10 de fevereiro de 2026 em Edições Impressas, Mercado

O conceito mais básico que precisa ser entendido por todos que querem investir é o de juros compostos. Eles são os maiores aliados dos investidores — e mais ainda dos jovens, que têm o tempo a seu favor.

“Quando falamos em juros compostos, o tempo pode valer mais do que o esforço. É ele que transforma pequenos valores em patrimônio”, diz Paula Sauer, professora de finanças da FIA Business School. Entender esse funcionamento muda completamente a relação das pessoas com o dinheiro. Confira!

Juros simples x juros compostos

Nos juros simples, a conta é linear. Os juros incidem sempre sobre o valor inicial.

Exemplo:

Valor inicial: R$ 1.000
Juros: 10% ao mês
Neste modelo, o rendimento mensal é sempre o mesmo:

  • Mês 1: R$ 1.000 + R$ 100 = R$ 1.100
  • Mês 2: R$ 1.100 + R$ 100 = R$ 1.200
  • Mês 3: R$ 1.200 + R$ 100 = R$ 1.300

Note que os juros não crescem. São previsíveis, estáveis e lineares.

Já nos juros compostos, os rendimentos se acumulam. Os juros passam a incidir não apenas sobre o valor inicial, como também sobre os juros anteriores.

Seguindo o mesmo exemplo:

  • Mês 1: R$ 1.000 + 10% = R$ 1.100
  • Mês 2: R$ 1.100 + 10% = R$ 1.210
  • Mês 3: R$ 1.210 + 10% = R$ 1.331

Aqui, o crescimento deixa de ser linear e passa a ser exponencial.

O poder do tempo nos números

No curto prazo, a diferença parece pequena, mas o tempo muda tudo.

Em 10 meses:
Juros simples:
R$ 1.000 + R$ 100 por mês = R$ 2.000
Juros compostos:
R$ 1.000 + R$ 100 por mês = R$ 2.593,74

Em 24 meses:
Juros simples:
R$ 1.000 + R$ 100 por mês = R$ 3.400
Juros compostos:
R$ 1.000 + R$ 100 por mês = R$ 9.849,73

A diferença ultrapassa R$ 6.400 sem mudar taxa, prazo ou valor inicial, apenas o tipo de juro. “É nesse ponto que o dinheiro passa a depender menos do seu esforço, e mais do tempo”, resume Paula.

Começar cedo importa

A especialista compara o processo a subir uma escadaria longa, com degraus baixos. O esforço é pequeno, mas constante. Quem começa cedo se beneficia de três fatores:

  1. Mais tempo para os juros se acumularem.
  2. Menor necessidade de aportes altos.
  3. Maior capacidade de se recuperar de imprevistos.

“Juntar um milhão de reais em 30 anos exige muito menos esforço do que tentar alcançar o mesmo valor em apenas cinco”, diz a professora.

É possível aproveitar juros compostos com pouco dinheiro? Paula garante que sim e destaca que disciplina e constância pesam tanto quanto o valor investido. “Quando falamos em juros compostos, investir pouco, mas regularmente, costuma vencer o investimento irregular de grandes quantias”, afirma. Veja um exemplo:

Considere um valor total investido de R$ 3.600 e uma rentabilidade média de 0,8% ao mês, o que equivale a aproximadamente 10% ao ano. 

Caso 1 – Pouco por mês, durante décadas

Aporte mensal: R$ 10
Prazo: 30 anos (360 meses)
Total investido: R$ 3.600
Resultado com juros compostos: R$ 20.764

Caso 2 – Mesmo valor investido ao longo de poucos anos

Aporte mensal: R$ 100
Prazo: 3 anos (36 meses)
Total investido: R$ 3.600
Resultado com juros compostos: R$ 4.600

“O hábito funciona como escovar os dentes: no início exige esforço, depois se torna automático.”

Quais investimentos rendem como os juros compostos?

Os juros compostos são usados na rentabilidade dos principais investimentos, como Tesouro Direto, CDBs, LCIs e LCAs, fundos de investimento e ações. Mas alguns erros podem limitar o rendimento do dinheiro:

  • Começar tarde.
  • Investir sem regularidade.
  • Sacar rendimentos prematuramente.
  • Buscar ganhos rápidos.
  • Carregar dívidas caras enquanto investe.
  • Parar e recomeçar constantemente.

Os juros compostos não fazem milagre em um ano. Ao longo de duas décadas, contudo, podem mudar completamente a trajetória financeira de uma pessoa.

 Menina com celular. Foto criada por diana.grytsku - br.freepik.com

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