O conceito mais básico que precisa ser entendido por todos que querem investir é o de juros compostos. Eles são os maiores aliados dos investidores — e mais ainda dos jovens, que têm o tempo a seu favor.
“Quando falamos em juros compostos, o tempo pode valer mais do que o esforço. É ele que transforma pequenos valores em patrimônio”, diz Paula Sauer, professora de finanças da FIA Business School. Entender esse funcionamento muda completamente a relação das pessoas com o dinheiro. Confira!
Juros simples x juros compostos
Nos juros simples, a conta é linear. Os juros incidem sempre sobre o valor inicial.
Exemplo:
Valor inicial: R$ 1.000
Juros: 10% ao mês
Neste modelo, o rendimento mensal é sempre o mesmo:
- Mês 1: R$ 1.000 + R$ 100 = R$ 1.100
- Mês 2: R$ 1.100 + R$ 100 = R$ 1.200
- Mês 3: R$ 1.200 + R$ 100 = R$ 1.300
Note que os juros não crescem. São previsíveis, estáveis e lineares.
Já nos juros compostos, os rendimentos se acumulam. Os juros passam a incidir não apenas sobre o valor inicial, como também sobre os juros anteriores.
Seguindo o mesmo exemplo:
- Mês 1: R$ 1.000 + 10% = R$ 1.100
- Mês 2: R$ 1.100 + 10% = R$ 1.210
- Mês 3: R$ 1.210 + 10% = R$ 1.331
Aqui, o crescimento deixa de ser linear e passa a ser exponencial.
O poder do tempo nos números
No curto prazo, a diferença parece pequena, mas o tempo muda tudo.
Em 10 meses:
Juros simples:
R$ 1.000 + R$ 100 por mês = R$ 2.000
Juros compostos:
R$ 1.000 + R$ 100 por mês = R$ 2.593,74
Em 24 meses:
Juros simples:
R$ 1.000 + R$ 100 por mês = R$ 3.400
Juros compostos:
R$ 1.000 + R$ 100 por mês = R$ 9.849,73
A diferença ultrapassa R$ 6.400 sem mudar taxa, prazo ou valor inicial, apenas o tipo de juro. “É nesse ponto que o dinheiro passa a depender menos do seu esforço, e mais do tempo”, resume Paula.
Começar cedo importa
A especialista compara o processo a subir uma escadaria longa, com degraus baixos. O esforço é pequeno, mas constante. Quem começa cedo se beneficia de três fatores:
- Mais tempo para os juros se acumularem.
- Menor necessidade de aportes altos.
- Maior capacidade de se recuperar de imprevistos.
“Juntar um milhão de reais em 30 anos exige muito menos esforço do que tentar alcançar o mesmo valor em apenas cinco”, diz a professora.
É possível aproveitar juros compostos com pouco dinheiro? Paula garante que sim e destaca que disciplina e constância pesam tanto quanto o valor investido. “Quando falamos em juros compostos, investir pouco, mas regularmente, costuma vencer o investimento irregular de grandes quantias”, afirma. Veja um exemplo:
Considere um valor total investido de R$ 3.600 e uma rentabilidade média de 0,8% ao mês, o que equivale a aproximadamente 10% ao ano.
Caso 1 – Pouco por mês, durante décadas
Aporte mensal: R$ 10
Prazo: 30 anos (360 meses)
Total investido: R$ 3.600
Resultado com juros compostos: R$ 20.764
Caso 2 – Mesmo valor investido ao longo de poucos anos
Aporte mensal: R$ 100
Prazo: 3 anos (36 meses)
Total investido: R$ 3.600
Resultado com juros compostos: R$ 4.600
“O hábito funciona como escovar os dentes: no início exige esforço, depois se torna automático.”
Quais investimentos rendem como os juros compostos?
Os juros compostos são usados na rentabilidade dos principais investimentos, como Tesouro Direto, CDBs, LCIs e LCAs, fundos de investimento e ações. Mas alguns erros podem limitar o rendimento do dinheiro:
- Começar tarde.
- Investir sem regularidade.
- Sacar rendimentos prematuramente.
- Buscar ganhos rápidos.
- Carregar dívidas caras enquanto investe.
- Parar e recomeçar constantemente.
Os juros compostos não fazem milagre em um ano. Ao longo de duas décadas, contudo, podem mudar completamente a trajetória financeira de uma pessoa.

