Créditos: Getty Images Desde 2023, a inteligência artificial (IA) se popularizou rapidamente e, hoje, já faz parte da rotina de empresas, escolas e pessoas comuns, em aplicativos, redes sociais e no trabalho. Com as transformações, surge uma dúvida para quem pensa no futuro profissional: a IA vai abrir novas oportunidades ou diminuir as chances de emprego para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho?
Nesse debate, há quem veja a IA como aliada do crescimento econômico e da criação de novas profissões. Entretanto, existem alertas sobre automação excessiva, aumento das desigualdades e perda de vagas, especialmente nos primeiros empregos.
O que você precisa saber
Um levantamento da rede social LinkedIn sobre os 25 cargos com maior crescimento previsto até 2026 aponta a própria tecnologia como destaque. A profissão com maior crescimento esperado é a de engenheiro de IA. Além disso, áreas como enfermagem, agronegócio e energia seguem demandando profissionais qualificados para sustentar o progresso econômico, a produção de alimentos, a transição energética e a saúde.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, em relatório divulgado no início de 2025, a transformação causada pela IA pode eliminar cerca de 92 milhões de empregos até 2030. Ao mesmo tempo, a tecnologia deve criar, aproximadamente, 170 milhões de postos de trabalho no mesmo período.
Estudos do Pew Research Center, que fornece dados sobre tendências, indicam que, diferentemente de revoluções tecnológicas anteriores, a IA tende a substituir tarefas ligadas a empregos de maior nível educacional, especialmente funções administrativas. Já o banco Goldman Sachs estima que até 300 milhões de empregos podem ser impactados pela adoção da IA em empresas nos Estados Unidos e na União Europeia.
Sim
- Novas profissões. A expansão da IA tem criado profissões e estabelecido novas áreas de atuação. Engenheiro de IA, criador de prompts, designer de IA, especialista em cibersegurança, analista de dados de IA, especialista em ética digital e gestor de automação são exemplos de carreiras que surgiram ou se fortaleceram nos últimos anos.
- Transformação, não extinção. Historicamente, grandes inovações tecnológicas eliminam algumas funções, mas também promovem outras. Com uma educação que forme os jovens para esse mercado de trabalho transformado, é só uma questão de tempo para que os novos profissionais se acomodem em novos cargos.
- A IA como aliada. A tecnologia pode jogar a favor na carreira dos jovens. Um estudo do International Workplace Group indica que 87% dos profissionais da geração Z percebem que a tecnologia acelera o avanço na profissão. Essa percepção não vem apenas de quem está começando: 82% dos profissionais mais experientes acham que jovens que usam IA contribuem com inovação e novas oportunidades de negócios.
Não
- Substituição de cargos de entrada. a IA tem substituído cargos de entrada, estágio e treinamento, ou seja, que demandam tarefas repetitivas e de baixo risco para a empresa. Dessa forma, uma vez que esses postos deixam de estar disponíveis, recém entrantes no mercado de trabalho enfrentarão dificuldade ao se capacitar para funções que exigem mais qualificação e experiência.
- Transição desigual. Em um país desigual como o Brasil, nem todos têm acesso a se preparar para esse novo mercado de trabalho. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2025, apenas 32% da população brasileira com acesso à internet utiliza IA, o equivalente a 50 milhões de pessoas — destas, 69% são da classe A, enquanto 16%, das classes D e E.
- Mais automação e menos vagas. Algumas das companhias que apostam em automação têm demitido áreas inteiras — Duolingo, Amazon e Pinterest são exemplos. Só em 2025, entre as empresas de tecnologia, foram quase 246 mil pessoas que perderam o emprego, ou uma média de 674 indivíduos por dia.
Glossário
Automação: uso de tecnologias e máquinas para realizar tarefas de forma automática, com pouca ou nenhuma intervenção humana.
Mercado de trabalho: conjunto de oportunidades de emprego disponíveis e de pessoas que estão procurando trabalho em determinado período.
Transição energética: mudança da utilização de fontes de energia poluentes, como carvão e petróleo, para fontes mais limpas e sustentáveis, como solar e eólica.
Cargos de entrada: primeiros empregos ou funções iniciais de uma carreira, geralmente voltados a estagiários, aprendizes ou profissionais sem experiência.
Fontes: G1, Meio&Mensagem, Agência Brasil, Forbes Brasil e Exame.

