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Cartão de crédito concentra 85% das dívidas dos brasileiros

O dado acende um sinal de alerta porque essa é uma das linhas mais caras do mercado, com juros médios de 90,1% ao ano.
11 de fevereiro de 2026 em Nacional
Cartão de crédito. Foto: Matt Cardy/Getty Images

O endividamento e a inadimplência dos brasileiros caiu no final de 2025. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 78,9% das famílias relataram ter dívidas a vencer em dezembro — o menor nível desde julho, embora ainda 2,3 pontos percentuais acima de dezembro de 2024.

A maior parte das dívidas continua sendo o cartão de crédito, responsável por 85,1% das contas a pagar, alta de 1,3 ponto percentual em relação ao ano anterior e o maior patamar desde agosto de 2024. Segundo a instituição, o dado acende um sinal de alerta porque essa é uma das linhas mais caras do mercado, com juros médios de 90,1% ao ano. Depois do cartão, aparecem carnês (16,2%), crédito pessoal (12,1%), financiamento de casa (9,6%), financiamento de carro (8,6%), crédito consignado (5,8%) e cheque especial (3,3%).

A inadimplência também recuou no mês, atingindo 29,4% das famílias, o menor percentual desde abril, enquanto a parcela dos que afirmam não ter condições de pagar dívidas em atraso caiu para 12,6%, o nível mais baixo desde junho. Ainda assim, quase metade dos inadimplentes (48,6%) está com atrasos superiores a 90 dias, mostrando que o problema persiste para uma parcela relevante da população.

Outro ponto de atenção é o comprometimento da renda. Em dezembro, 18,9% dos consumidores tinham mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas, e o comprometimento médio permaneceu em 29,5% da renda mensal . Além disso, o prazo médio das dívidas caiu para 7,1 meses, indicando contratos mais curtos e menor fôlego para o planejamento financeiro.

Por faixa de renda, as famílias que ganham entre 3 e 5 salários mínimos se destacaram com a maior redução tanto no endividamento quanto na inadimplência ao longo do mês e do ano. A CNC projeta que o endividamento e a inadimplência devem continuar em queda no primeiro trimestre de 2026, mas ressalta que o mercado de crédito ainda exige cautela.

Vale destacar que endividamento e inadimplência não são a mesma coisa. Endividamento significa ter dívidas em aberto, como parcelas do cartão de crédito, financiamento ou empréstimos, mesmo que estejam sendo pagas em dia. Já a inadimplência ocorre quando há atraso no pagamento dessas obrigações, indicando dificuldade em cumprir os compromissos financeiros.

 Menina com celular. Foto criada por diana.grytsku - br.freepik.com

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