Créditos da Imagem: GETTY IMAGE / HAN MYUNG-GU Silvia Balieiro
Em minutos, milhares de ingressos para os shows de retorno do BTS se esgotaram nos Estados Unidos e México. No Brasil, o anúncio das datas mobilizou as “ARMYs”, que já pensam em estratégias para garantir as entradas.
Não é para menos. Após dois anos afastados para cumprir o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul, os integrantes do grupo, cuja gravadora faturou 1,3 bilhão de dólares (em torno de 6,75 bilhões de reais) em 2024, voltarão aos palcos confirmando a força econômica da cultura sul-coreana no mundo.
O BTS é apenas uma parte de um fenômeno que vem transformando hábitos de consumo e movimentando bilhões de dólares no ocidente: a k-economy. Da música aos cosméticos, dos doramas aos livros, produtos e experiências sul-coreanas conquistaram jovens consumidores de todo o mundo, inclusive brasileiros.
Máquina de fazer dinheiro
Não se trata de uma febre passageira. O primeiro sinal desse movimento no Brasil aconteceu em 2012, quando a música “Gangnam Style”, do cantor Psy, estourou nas paradas musicais brasileiras. O modelo de monetização do K-pop vai muito além da comercialização de músicas e shows. Envolve uma engenhosa máquina de engajamento, na qual os fãs são estimulados a consumir os mais diversos itens relacionados aos ídolos.
Helena Braga, de 25 anos, é fã de k-pop desde a pandemia e não esconde que uma parcela de suas economias é gasta com shows e artigos do BTS e outras bandas do país asiático, como Stray Kids e Twice. “A maior loucura que fiz foi gastar 2 mil reais para assistir à passagem de som do Stray Kids, no Morumbis, em 2025”. Ela garante que valeu a pena. “Eram apenas cem pessoas, que puderam interagir com eles por vinte minutos.”
Se você está achando 2 mil reais um valor exorbitante, saiba que há casos em que o gasto é ainda maior. Para o show do cantor Jackson Wang, marcado para abril, alguns ingressos do pacote vip chegam a custar 4.117,20 reais, sem contar taxas adicionais. O valor chamou tanta atenção que a Ticketmaster, organizadora do evento, chegou a ser acionada pelo Procon, órgão de defesa do consumidor.
Diferentemente de artistas ocidentais, os idols coreanos mantêm múltiplos pontos de contato com o público por meio de aplicativos exclusivos, como Weverse, no qual fazem lives, enviam mensagens e até videochamadas pagas. “O K-pop é muito produzido para o público. Eles têm programas semanais para conversar com fãs”, diz Helena. “Até o álbum é diferente, inclui foto 3×4 deles.”
Os álbuns, por sua vez, são uma fonte de receita estratégica. Estela Lima, 28 anos, fã desde 2012, diz que já pagou 400 reais em um único disco. Os produtos vêm em “pacotes”, com diferentes versões dedicadas a cada integrante do grupo, estimulando colecionadores a comprar todas as edições. “Dependendo da quantidade de itens, o álbum pode custar quase mil reais”, explica.
Além da música
O hype sul-coreano extrapolou o mundo da música. Veja em quais outros setores a onda faz sucesso:
- No audiovisual, a Netflix vem investindo forte no mundo K. O montante chega a 2,5 bilhões de dólares (13 bilhões de reais) em quatro anos. A Coreia do Sul ganhou holofotes no setor, em parte pelo sucesso do filme Parasita, vencedor do Oscar em 2020.
- A tendência da glass skin (“pele de vidro”), inspirada na pele das celebridades da Coreia do Sul, fez a importação brasileira de produtos sul-coreanos para a pele crescer 57% em 2024 se comparado a 2023, segundo o Banco de Dados de Estatísticas do Comércio de Mercadorias dasNações Unidas.
- No turismo, conforme dados do governo sul-coreano, 56,1 mil brasileiros visitaram o país asiático até outubro de 2025 — um aumento de 78,5% na comparação com o período anterior. Os roteiros incluem, além dos pontos turísticos tradicionais, locações de doramas, restaurantes com comidas vistas na TV e a lojas de artigos relacionados ao K-pop.
Glossário do K-pop
ARMY – Nome oficial do fandom do BTS (cada grupo tem um nome específico para seus fãs).
Bias – Integrante favorito de um fã dentro de um grupo.
Idol – Termo usado para se referir aos artistas de K-pop.
Hallyu – Denominação dada à “onda sul-coreana” de expansão cultural pelo mundo.
Lightstick – Bastão luminoso que os fãs levam aos shows. Cada banda tem o próprio.
OT (One True) – Quando o fã gosta de todos os integrantes igualmente (ex.: OT7 para grupos de sete membros).
Photocard – Foto colecionável dos integrantes que vem dentro dos álbuns.
Weverse – Aplicativo oficial para interação entre artistas da gravadora Hybe, do BTS, com os fãs.
Fontes: O Globo, DW e Mercado & Consumo.

