A Groenlândia em disputa

Declarações do presidente dos EUA reacendem um debate histórico sobre fronteiras, soberania e os diferentes caminhos usados por países para incorporar territórios. Entenda como isso pode acontecer
10 de fevereiro de 2026 em Edições Impressas, Internacional
Créditos da Imagem: Sean Gallup/Getty Images

Pedro Vedovato

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, completou, em janeiro, um ano de mandato. Uma das ambições declaradas do político é a anexação da Groenlândia, ilha com cerca de 55 mil habitantes, mais de 2 milhões de quilômetros quadrados e que, apesar de ampla autonomia política, integra oficialmente o Reino da Dinamarca.

A declaração reacendeu um debate antigo, mas central nas relações internacionais: afinal, como um território pode ser anexado ou incorporado por outro Estado? Ao longo da história, fronteiras foram constantemente redesenhadas por guerras, acordos diplomáticos, processos de unificação e disputas coloniais. O infográfico abaixo reúne os principais modelos de anexação territorial e exemplos históricos, que ajudam a compreender o cenário atual e refletir sobre os possíveis desdobramentos das tensões contemporâneas.

Segundo Alexandre Pires, professor de relações internacionais do Ibmec, a Carta das Nações Unidas é considerada um divisor de águas. Promulgada em 1945, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o documento buscou estabelecer regras gerais para evitar novas anexações forçadas e limitar o uso da força como instrumento para expansão territorial. A partir desse marco, os modos de aquisição de territórios passaram a ser tratadas de maneiras distintas.

Formas de aquisição de território antes de 1945

  • Acordos de paz: utilizados para encerrar conflitos armados, estabelecendo novas fronteiras, negociadas entre os países envolvidos.
  • Acordos entre potências: tratados firmados entre impérios ou grandes Estados, que podiam transferir colônias ou territórios sob seu domínio, muitas vezes sem consulta à população local.
  • Unificações no pós-guerra: processos em que pequenos Estados, reinos ou territórios eram incorporados a unidades nacionais maiores após grandes conflitos.

Formas de aquisição de território após 1945

  • Reivindicação com base na autodeterminação dos povos: princípio segundo o qual uma população pode decidir sua situação, desde que o processo seja considerado legítimo pela comunidade internacional.
  • Acordos supervisionados: tratados entre Estados com consentimento mútuo, acompanhados e fiscalizados por organismos internacionais ou países mediadores.
  • Ocupações: situações em que um território é invadido militarmente por outro Estado. Essa prática é considerada legal pelo direito internacional, mas impõe ao ocupante deveres e responsabilidades previstos nas convenções internacionais.

Glossário

Direito internacional: conjunto de regras que ajudam os países do mundo a conviver e cooperar entre si. Essas normas orientam como os países devem agir em temas como paz, direitos humanos, comércio e resolução de conflitos.

Fontes: BBC, BBC Brasil e Brasil Escola.

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