“Dinheiro é como o tempo, tem que ser bem usado antes que acabe.” A comparação é da professora e planejadora financeira Myrian Lund, que, há décadas, estuda o comportamento das pessoas em relação ao dinheiro e hoje atende especialmente jovens.
O começo de ano é sempre um bom momento para estabelecer metas e organizar as finanças. E a primeira dica da professora para quem quer seguir esse caminho é planejar. “Assim como o fim de semana parece longo e, de repente, termina, o dinheiro também ‘some’ quando não há um plano”, diz Myrian. A solução, afirma, é dividir tudo que você recebe em três partes claras:
- Reserva de emergência, para imprevistos e pequenos prazeres.
- Futuro, pensando em objetivos de longo prazo.
- Sonhos, aquilo que motiva a guardar dinheiro agora.
Definir datas para esses objetivos muda tudo. Quando o jovem sabe para quê e até quando está juntando, poupar deixa de ser sacrifício e passa a ser estratégia.
Quanto guardar
Não existe fórmula mágica, mas um bom ponto de partida é separar 30% do que se ganha. A partir desse total, a divisão pode ser equilibrada: 10% para emergências, 10% para aposentadoria (ou investimentos de longo prazo) e 10% para outros sonhos. O mais importante é a regularidade. Guardar pouco todo mês é melhor do que esperar “sobrar”.
Quanto antes, melhor
Educação financeira não começa quando se recebe o primeiro salário, pode começar cedo, com organização básica e noções de escolha. Mesada, por exemplo, já é uma ferramenta de aprendizado quando a criança entende números e passa a planejar o que quer fazer com o valor recebido. Hábito aprendido cedo vira vantagem ao longo da vida.
O maior erro: confiar na memória
Um dos tropeços mais comuns é não anotar gastos. A economia comportamental mostra que nosso cérebro tem dois modos de decisão: um rápido e emocional, outro analítico e preguiçoso. Sem registro, ficamos na chamada “contabilidade mental” e lembramos só dos gastos grandes. Os pequenos, repetidos, são os que levam o dinheiro embora.
Aplicativos ou planilhas simples ajudam a acionar o lado analítico e enxergar padrões de consumo que passam despercebidos no dia a dia.
Escape das compras por impulso
Publicidade e redes sociais estimulam decisões rápidas: viu, gostou, comprou. Para evitar arrependimento, o planejamento funciona como um guia. A pergunta-chave antes de comprar não é “posso?”, e sim “de onde vai sair esse dinheiro?”. Um tênis novo pode significar abrir mão de uma viagem ou um curso. Quando a troca fica clara, a decisão deixa de ser impulso e vira escolha consciente.
Planejar não é só para quem tem dinheiro
Uma frase resume bem o ponto de partida: não é preciso ser rico para investir; é preciso investir para ficar rico. Planejamento é justamente o que permite começar com pouco, definir prioridades e construir autonomia financeira ao longo do tempo.
Que essas dicas te ajudem a usar bem o seu dinheiro em 2026!


