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Super-ricos esgotam cota anual de emissão de carbono em dez dias, diz estudo

O 1% mais rico da população mundial esgotou sua cota anual de emissão CO₂ nos primeiros dias de 2026
22 de janeiro de 2026 em Internacional
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No dia 10 de janeiro, a Organização Não Governamental (ONG) Oxfam divulgou um estudo que mostra que o 1% mais rico da população mundial esgotou sua cota anual de emissão de dióxido de carbono (CO₂) nos primeiros dez dias de 2026. Essa conta feita pela entidade é baseado no limite estipulado pelo Acordo de Paris, para evitar maiores consequências para o planeta com o aquecimento global.

O tratado internacional de 2015, assinado em Paris, estabelece que, para tentar conter o aquecimento global em até 1,5°C aos padrões de temperatura pré-revolução industrial, cada pessoa deveria emitir no máximo 2,1 toneladas de CO₂ por ano até 2030. Esse limite é definido para evitar imprudências e manter contida a pegada de carbono de cada indivíduo, em prol da coletividade e do bem estar no planeta.

Porém, o estudo da ONG mostrou que o 1% mais rico do planeta polui muito mais do que deveria. A Oxfam calcula que essa parcela da população emite, em um ano, 75 toneladas de CO2 na atmosfera, 45 vezes mais do limite estipulado para o restante da população. Esse índice fica ainda mais grave entre o 0,1% mais rico, pois, segundo o estudo, foram necessários apenas 3 dias do ano para esse grupo ainda menor de pessoas poluir a cota teriam para o ano todo.

Consequências futuras

A meta de limitar o aumento das temperaturas globais a 1,5ºC foi estabelecida como compromisso entre os países que assinaram o Acordo de Paris, em 2015. Porém, um estudo divulgado pelo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), poucos dias da COP30, aponta que mesmo se os últimos compromissos dos governos para reduzir as emissões no futuro sejam cumpridos, o planeta ainda atingirá uma elevação de temperatura de 2,3ºC ou 2,5ºC.

Por isso, atitudes como essa, que elevam o índice de poluição individual, podem ter consequências severas para todos do planeta. Por exemplo, o aumento das chances de, até o final do século, serem registradas 1,3 milhão de mortes causadas pelo calor extremo, segundo o estudo da Oxfam, .

Possíveis soluções

O estudo indica algumas ações capazes de compensar ou amenizar o impacto desse tipo de desigualdade (entre a pegada de carbono dos mais ricos e da população como um todo). Uma delas é o aumento de impostos sobre a renda e a riqueza dos super-ricos. Além disso, uma maior taxa de imposto sobre os lucros obtidos por empresas de combustíveis fósseis. A ONG destaca que apenas uma cobrança de imposto maior sobre 585 companhias de petróleo, gás e carvão poderia arrecadar até 400 bilhões de dólares, aproximadamente 2,1 trilhões de reias em um ano.

Outra medida é o aumento na taxação de itens de luxo, como iates e jatinhos. O estudo ressalta que “a pegada de carbono de um europeu super-rico, acumulada em apenas uma semana usando superiates e jatos particulares, equivale à pegada de carbono ao longo da vida de uma pessoa pertencente ao grupo do 1% mais pobre do mundo”.

Fontes: Folha de S.Paulo e CNN Brasil.

 Menina com celular. Foto criada por diana.grytsku - br.freepik.com

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